quarta-feira, 19 de agosto de 2009
27
Com pressa Tiago não subiu pelas escadas acompanhando Roxane. Usou o elevador e logo estava diante da enfermaria onde Bin-Bin o aguardava.
- Sabia que viria. – Bin-Bin.
- Meu irmão está bem? – Tiago.
- Sim, permanecerá apenas algum tempo em observação.
- Posso vê-lo?
- Claro. Mas não é bom que ele o veja, compreende?
- Sim Bin-Bin. Quero apenas vê-lo, não vou demorar. Prometo. Carlos não irá reparar a minha presença.
- Ótimo.
Bin-Bin abriu a porta enquanto Tiago ficava invisível e permaneceu no quarto com eles. Tiago aproximou-se da cama e olhou Carlos, com fios monitorando os seus batimentos cardíacos e sua respiração, ligado ao tubo de oxigênio.
- Pode aparecer Tiago. – Carlos.
- Como sabia que eu estava aqui? – Tiago.
- Eu quase o vi nascer.
Tiago escutava com horror a voz antes ditadora e autoritária de Carlos transformada em um sussurro.
- Você está bem? – Tiago.
- Estarei bem em pouco tempo e o obrigarei a dormir. – Carlos.
- Não me contaram que o haviam ligado ao oxigênio.
- Não me enterre ainda. Pode escrever que eu logo estarei fora desta cama.
- Você me assustou. O que aconteceu? Está doente?
- Desculpe tê-lo assustado. Eu apenas sou alérgico a algumas coisas e me descuidei. Apenas isto.
- Não bebeu álcool, não é? Apenas meia garrafa de cerveja seria o suficiente para te matar.
domingo, 16 de agosto de 2009
26
20h15min SEXTA 16 de Agosto.
Sem notarem a sombra estreita no portão, a alguns metros, os dois entraram no casarão.
- Semana que vem é a nossa vez de fazer compras. – Raíssa.
- Nem me lembre. Só de pensar eu já estou cansado. – Valério.
- Está tarde. Vamos dormir. Amanhã vocês me devolvem a caneta.
- Obrigada. – Roxane.
- Você também não vai dormir? Raíssa tem razão, está tarde. – Tiago.
- Não posso dormir agora. Veja. – Roxane.
Ela pegou a mão de Tiago e a colocou no seu pulso pressionando levemente.
- Sente isso? – Roxane.
- É uma concha? – Tiago.
- Sim, mas ainda não está pronta. Não saiu nenhuma hoje, mas sei que esta sairá ainda esta noite.
- Não pode dormir.
- Não sabendo que vou acordar sentindo dor. Dormirei depois. Passou uma hora a dez minutos, vá ver seu irmão.
- E a sua carta?
- Terminarei no quarto. Boa noite.
- Tenha uma boa noite você também.

