segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

62

04h32min SÁBADO 24 de Agosto.

Taumbro a colocou nas costas ele a o mordeu, ele jogou Aline no chão lhe esbofeteando.
- Eu investi muito tentando te encontrar para vivermos juntos para desistir agora Pambeli! Agora você se comporte ou conseguirá me irritar de verdade! Pare de me provocar! – Taumbro.
- Eu não quero sair daqui com você! – Aline.
Aline o atacou com chutes. Sem sucesso.
- Fizeram lavagem cerebral em você? Vamos indo, o dia está saindo! – Taumbro.
- Já me tentou fazer caminhar uma vez, não vai dar certo. – Aline.
- Não espere que eu a livre das algemas. Eu lhe ensinei estes truques. Sorte que eu imaginei que você havia melhorado. Trouxe um presente especial pra você.
Do bolso do sobre tudo Taumbro retirou uma seringa de agulha mais estreita que o normal e jogou a tampa nos cascalhos do caminho dos carros.
- O que é isto? – Aline.
- Apenas algo para que durma. – Taumbro.
- Sedativos não têm efeito sobre nós!
- Como eu disse é um presente especial, para uma garota especial. Estive estudando e te procurando em minha estada na penitenciária Pambeli. Quando saí há três dias eu pude preparar isto para você.
- Não faz isso Taumbro, por favor! Posso ter uma reação alérgica!
- Eu te conheço Pambeli. Não tem confiança em mim?
Taumbro a derrubou com violência e a imobilizou pelo braço, perfurando sua carne com a agulha. Depois a levou para o jipe na calçada.
- Ficará mais calma agora. – Prometeu.


12h15min SÁBADO 24 de Agosto.

- Nas primeiras horas deste dia a Associação foi invadida por um homem desconhecido que raptou Aline. Ele foi identificado por ela como Taumbro. Ao investigarmos descobrimos onde ele a mantém em cativeiro. – Rosa.
- Vão acionar a polícia? – Roxane.
- A polícia não se envolverá. Aline conta apenas conosco, os membros da Associação e os residentes mais antigos.
- Eu não quero ir. A Aline é má. – Bernardo.
- Você não irá Bernardo, é muito novo. – Roxane.
- Raíssa não irá. – Valério.
- Por que não? – Raíssa.
- Io-lan e Bin-Bin precisarão de você aqui para ajudar na enfermaria.
- Correto. Participarão desta operação em campo apenas Ottus, Valério, Angelo, Sandra e Elisa. – Rosa.
- Eu posso ajudar. – Tiago.
- Você não está matriculado Tiago.
- Ainda assim eu conheço os treinamentos e posso ajudar ficando quase imperceptível a Taumbro.
- Taumbro é como Aline, talvez com maior habilidade.
- Eu imaginei isto, pois pode derrotá-la. Mas sei que Aline não pode me ver, então ele também não poderá.
- Está bem. Poderá ir assim que assinar estes papéis.
- O que são?
- A sua matrícula.

sábado, 27 de novembro de 2010

61

21h10min SEXTA 23 de Agosto.

As janelas daquele andar eram todas gradeadas, por isso ela desceu de pijama hospitalar correndo pelas escadas e encontrou os gêmeos.
- Está melhor Aline? – Roan.
- Não! – Aline.
Após bater a porta do seu quarto, Aline foi à janela e jogou as malas ainda arrumadas e saltou. Algo prendia seu pé.
- Está dormindo novamente ou delira? – Angelus.
- Realmente preciso ir embora. Agora me solte. – Aline.
- Há portas no casarão.
- Agradeço a informação. Agora me solte, eu não quero lhe machucar. Tenho que sair daqui.
- Eu não lhe soltarei Aline.
Ela arranhou o rosto de Angelus e o corte congelou-se antes de derreter e mostrar que não havia marca alguma do ferimento.
- Agora vamos entrar. – Angelus.
- Agradeço por tudo o que fizeram por mim Angelus, até a ferida que me deixou na ala hospitalar até agora. Mas eu não tenho tempo para explicar, eu preciso ir embora!
- Seu agradecimento é manifestado de forma incomum.
- Estou perdendo tempo!
- A polícia irá atrás de você.
Sentindo tonta por estar de cabeça para baixo, Aline foi atingida por uma vertigem.
- O que você tem? – Angelus.
- Solte-me agora, preciso ir embora! – Aline.
Sem poder conter-se Angelus abriu a mão e a soltou. Aline parecia cair bruscamente, mas a poucos metros do chão ficou de pé. Angelus desceu ao lado dela.
- Precisamos conversar. – Angelus.
- Está perdoado por ter me ferido. Sei que foi acidental. – Aline.
Ela caminhou apressada até suas malas e sentiu novamente a vertigem. Sem angelo para segura-la teria caído no chão.
- Precisa de ajuda. Io-lan cuidará de você. – Angelo.
- Estou tendo visões! Tudo o que aconteceu antes será real desta vez! – Aline.
Angelo olhou ao redor e viu que um homem de longos cabelos castanhos caminhava na direção deles.
- Quem é você? – Angelo.
- Então é aqui que está aprisionam a minha doce Pambeli. – Taumbro.
- Pambeli?
- É como me chamam nas ruas. – Aline.
Taumbro parou a alguns metros de onde estava.
- O que veio fazer aqui Taumbro? – Aline.
- Este é o motivo de suas visões? – Angelo.
- Este é o seu novo namorado? Um pombo sem bico? – Taumbro.
- O que faz aqui? – Aline.
- Vim te buscar. Não diga que esqueceu os nossos planos. Temos uma casa agora.
- Parti por que não quero mais continuar Taumbro. Mesmo difícil eu tento viver de outro modo.
- Deste modo pensarei que não gosta mais de mim como antes.
- Sinto muito.
- Não cabe a você a escolha. Eu a quero ao meu lado.
Zangado Taumbro se aproximou voando, mas Angelus se colocou entre eles.
- Não force as coisas com ela. – Angelus.
- Isto é entre Pambeli e eu. – Taumbro.
- Seja mais gentil com ela e ela conversará contigo.
- Conversar não é o que me importa no momento.
- Ela não sairá daqui.
- Você voará e me agradará.
Com as palavras dele Angelus ficou preso sem tocar o chão. Aline deu um passo adiante.
- Angelus nada tem a ver com isto Taumbro. – Aline.
- Estou envolvido contigo Aline. – Angelus.
- Seu namorado é corajoso. Descobriu se estes primitivos têm algo que não fazemos melhor? Ele me superou? – Taumbro.
- Ele não é o meu namorado. Agora o solte! – Aline.
- Está bem.
Com um gesto de mão Taumbro fez com que Angelus começasse a cair por sentir suas asas cansadas demais.
- O lema é sempre devagar para não se machucar. – Aline.
Angelus desceu em segurança e Taumbro segurou o pulso de Aline com força e ela tentou se soltar.
- Antes você não ligava para eles! Não ligava para nada! – Taumbro.
- Eu mudei Taumbro. – Aline.
- Um dia comigo e voltará ao que era. Será a mesma Pambeli de sempre.
- Por que não me deixa em paz?
Angelus distraiu Taumbro permitindo a liberdade de Aline.
- Entre Aline! – Angelus.
- Aline? Imaginei que odiasse este nome. Vamos Pambeli, antes que me aborreça mais. – Taumbro.
- Chega Taumbro! Eu não quero ir contigo! – Aline.
- Você vem comigo!
- O leão deu um urro e entre nós se ergueu um muro!
As palavras de Aline provocaram ondulações constantes na grama, formando uma barreira de terra e raízes.
- Como fez isso? – Angelus.
- Vamos! – Aline.
Taumbro chegou ao topo dos degraus antes deles. Aline desceu a escada correndo e parou.
- Galos saem de gemas, Pambeli será presa com algemas! – Taumbro.
Com as mãos presas repentinamente Aline caiu. Levantou-se com o nariz sangrando. Presa não poderia proferir nada que fizesse efeito e o muro baixou desaparecendo.
- Agora, caro amigo, a Pambeli vem comigo! – Taumbro.
Aline começou a caminhar contra a vontade.
- Terá a autorização após a minha morte. – Angelus.
- Posso providenciar. – Taumbro.
- Não! – Aline.
- Tudo o que desejar meu amor. Ervas crescerão para a tua prisão!
Raízes prenderam os braços e as pernas de Angelus. Mesmo que ele tentasse cortá-las enquanto Taumbro se afastava com Aline.
- Calma Pambeli. Assim que estivermos distante o suficiente ele será solto. Eu compro com minhas promessas. - Taumbro.
- Eu não quero ir contigo Taumbro! – Aline.
- Está louca? Vamos logo.
Aline controlou suas pernas e diminuiu os passos até conseguir parar.
- Não me force a ir.

sábado, 23 de outubro de 2010

60

06h45min SEXTA 22 de Agosto.

Valério desceu para o café da manhã, mas não tinha muito apetite. Logo os alunos sairiam para a escola.
- Algum problema com Carlos? – Raíssa.
- Não é nada Raíssa. Você viu Tiago? – Valério.
- Não o vi hoje, mas ele pode estar lá fora.
- Espero que sim.
Valério saiu, passando por Tiago sem notá-lo invisível na porta. Tiago sentou-se à mesa e ficou visível para lanchar.
- Valério estava te procurando. – Raíssa.
- Já falamos tudo o que tínhamos a dizer. – Tiago.
- Vocês brigaram? Foi você que o machucou?
- Isso não é da sua conta.
- Tenha certeza de que é sim. Valério me disse que caiu no banheiro e por isso se machucou.
- Então acredite nele.
- Não tem o direito de ferir Valério.
- Sinceramente Raíssa, eu não estou nem aí para o que você pensa ou não. Apenas eu sei o que estou passando e o idiota do Valério não existe para mim.
- Não fale dele deste modo!
Raíssa ficou de pé e Tiago também se levantou.
- Quer defender aquele otário no braço? Se quiser diga a Io-lan para preparar tudo para a sua chegada! – Tiago.
- Valério é um homem melhor que você Tiago! Qualquer um aqui é! Raíssa.
Invisível Tiago lançou uma bandeja sobre ela.
- Você está morto! – Raíssa.
- Parem com isso! Você também Tiago! – Valério.
- Tiago tornou-se visível e levantou uma xícara para lançá-la sobre a garota. Com mais agilidade Corisco o acertou com um raio que o derrubou e fez com que batesse a cabeça. Valério aproximou-se de Tiago zonzo pela eletricidade.
- Quer brigar comigo, ótimo. Venha quando quiser. Quer a cabeça do teu irmão, pode ir buscar. Mas ameace Raíssa de novo e não serei tão caridoso com apenas cento e vinte volts. – Valério.


13h30min SEXTA 23 de Agosto.

Como se algo perturbasse o quarto Aline se agitou no início da tarde. Carlos estava desperto, porém sob o efeito de sedativos não pode reagir. A febre da garota subia, trazendo delírios com ela. Sonhando com Taumbro que a ameaçava.
Bin-Bin não pôde conte-la quando, ao sonhar, Aline saía da enfermaria e agredia estudantes e professores como se eles fossem o seu inimigo. Com suas palavras objetos voavam sobre eles ou os impediam de procurar por abrigo.
Tales, com ajuda de Elisa conseguiu descê-la de onde voava. Esgotada Aline adormeceu sendo levada imediatamente de volta à enfermaria. Carlos.


18h54min SEXTA 23 de Agosto.

Lágrimas corriam dos olhos de Aline antes de acordar. Olhou Carlos e percebeu onde estava. Vendo um vulto esguio o chamou.
- Io-lan. – Aline.
O médico aproximou-se dela.
- Você está bem? – Io-lan.
- O que estou fazendo aqui? – Aline.
- Foi ferida, perdeu muito sangue.
- Amarram os seus feridos?
- Você é sonâmbula.
- Não, não sou.
- Você é Aline. Atacou todos.
- Não sou sonâmbulo Io-lan.
- Talvez não saiba.
- Eu não sonho Io-lan. Não posso ter pesadelos e nem ser sonâmbula. Apenas... Droga, eu tenho que sair daqui. Desamarre os meus braços.
- Não pode sair daqui Aline. Ainda temos que avaliar o seu estado. Se não se acalmar eu serei forçado a lhe dar um tranqüilizante.
- Cale a boca e me solte ou será a tua morte!
Io-lan se aproximou da cama e soltou o pulso esquerdo de Aline. A porta se abria e Bin-Bin entrou com uma prancheta.
- O que está fazendo? – Bin-Bin.
- Não posso me controlar, a impeça Bin-Bin. – Io-lan.
- Parada aí até eu sair! – Aline.
- Eu não posso, não consigo me mover! – Bin-Bin.
- Aline, por favor, compreenda. – Io-lan.
- Entenda você! - Aline.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

59

06h25min SEXTA 23 de Agosto.

Valério se levantou tarde no dia seguinte, mas sabia que Io-lan ou Bin-Bin estavam próximos à enfermaria. Pediu então a Bin-Bin para visitar Carlos. Ao entrar soube de Aline, mas permaneceu parado diante da janela aberta após ver que ambos repousavam ligados a aparelhos.
- Valério. – Carlos.
- Como está hoje?
- Diz você. Comprara a minha lápide ou vão fazer uma vaquinha para uma capela.
- Certamente uma catedral já que você está melhorando e vai se recuperar.
- Ótimo. O que houve com o seu rosto?
- Tiago.
- O meu irmão te bateu?
- Ele me derrubou cara. Dei aquele sedativo a ele para que descansasse.
- Desculpe por ele.
- Não é a você que tenho que desculpar. Tiago está preparado para assumir os próprios erros e as glorias dos acertos.
- Por que diz isso?
- Por que é a verdade. Espero que você fique bom.
- Espere Valério, fala comigo. Tiago não tem vindo falar comigo. Por quê?
- Porque ele não quer. Rosa conversou com ele e está arranjando os documentos. Depois que Tiago falar com a tia de vocês ele decidiu assinar os papeis.
- Tiago não pode fazer isso! Chame-o aqui.
- Não Carlos, ele pode. Depois você está se recuperando.
- Não o deixe fazer isso Valério.
- Não posso impedi-lo. Aqui não é um mau lugar.
- Diga a ele que eu o proíbo. Tem alguma coisa errada nisso tudo.
- Não tem nada de errado Carlos.
- Pergunte a Tiago o que está acontecendo Valério. Tem alguma coisa, eu conheço o Tiago.
As máquinas acusaram anomalia nos batimentos de Carlos, que mesmo sentindo as pontadas de dores insistia em falar.
- Calma Carlos, deste modo você vai demorar a se recuperar! – Valério.
- Pergunte a Tiago, Valério, pergunte. – Carlos.
Bin-Bin saiu de seu escritório e atravessou o corredor para chegar ao quarto onde estavam.
- O que está acontecendo? – Bin-Bin.
- Traga Tiago aqui Valério. Eu quero falar com ele. – Carlos.
- Carlos, pare com isso.
- Tiago está bem. Cuidarei dele. Agora se acalme. – Valério.
A temperatura de Carlos se alterava com os seus gritos. Valério ajudou segurando o braço para Bin-Bin administrar a medicação que faria a febre retroceder.
- As visitas estão suspensas por quatro dias a partir de hoje! – Bin-Bin.

sábado, 25 de setembro de 2010

58

17h47min QUINTA 22 de Agosto.



Tiago abriu a porta e encontrou Aline diante dela.
- Frangos correm sem cabeça. – Aline.
- Por que me diz isso? – Tiago.
- Carlos vai arrancar a sua.
- Olha garota, você não tem nada a ver com isso. Então não se meta na minha vida e eu te deixo em paz.
- Capaz não sou de te deixar em paz. O que você faz...
- Não ouse terminar Aline. – Rosa.
- Está tarde Bernardo, é hora de dormir. – Ottus.
- Ele tem razão querido. Preciso dormir cedo se quiser que eu venha te ver cedo. – Roxane.
- Fique mais um pouco e conte outra história. – Bernardo.
- Está bem. Pode ir Ottus, irei me deitar em alguns minutos.
Ao perceber que Bernardo dormia Roxane parou de ler em voz alta e terminou o livro apenas para si. Acabou adormecendo na cadeira debruçada na cama de Bernardo.
Valério esperava encontrá-los despertos ao entrar no quarto e surpreso cobriu Roxane com um lençol e saiu. Após dar boa noite a Raíssa partiu para o próprio quarto.



21h57min QUINTA 22 de Agosto.


Com a mão dolorida Aline não conseguia dormir. Sentindo calor foi abrir a janela quando viu um desconhecido no pátio. O homem falava sozinho antes de uma pequena sacola surgir em suas mãos. Depois ele partiu pulando a grade.
Ela desceu as escadas a tempo de ver Tiago entrar. Ele pareceu surpreso ao tentar disfarças.
- Boa noite. – Tiago.
- A minha está sendo ótima, apenas... – Aline.
- Sem brincadeiras Aline. Você não sabe brincar.
- Quem brinca com a noite é pra levar susto da lua.
- Lua não assusta. O luar que acalma.
- É o que você acha.
- Boa noite.
Tiago se trancou em seu quarto, porém sem conseguir adormecer passou a noite folheando revistas. Aline sentiu sede e ao voltar da cozinha escutou ruídos na sala comunicativa. Angelus descansava em um sono agitado do qual parecia não conseguir despertar.
- Angelo... Angelo acorde. – Aline.
Não foi preciso que Aline a sacudisse. Ao sentir a mão dela em seu braço Angelus despertou construindo tridentes curvos ao atacá-la. As lâminas causaram três cortes no braço de Aline. Ela permaneceu imóvel olhando os tridentes que se derretiam nas mãos de Angelo ao se levantar.
- Aline. – Angelo.
Ele a sentiu escorregar e suas mãos se sujaram de sangue. Aline observou a ferida.
- Alguém! Ajudem-me! Socorro! – Angelo.
Sandra, Elisa e Vitor desceram as escadas e ajudaram a segurar Aline. Sandra examinou o braço dela. Joan retirou a camisa para estancar o sangue.
- Voltem aos seus quartos. – Vitor.
Os gêmeos começaram a subir.



23h00min QUINTA 22 de Agosto.



Aline foi colocada em estado grave na mesa cirúrgica. Havia perdido muito sangue. Bin-Bin e Io-lan se debruçavam sobre ela tentando conter o sangramento. Rosa foi acordada, mas não tiveram noticias durante uma hora.
- Angelo. – Rosa.
- Como soube onde eu estava? – Angelo.
- Desde a nossa juventude que você sobe em telhados.
- Próximo das nuvens.
- O que aconteceu?
- Eu não sei. Aline me despertou de um sono atordoado.
- Com o que sonhava.
- Fogo. Deserto e fogo.
- Entendo.
- Não desejo falar sobre isto agora. Irei para a catedral.
- Está bem. Eu o espero quando quiser conversar.
- Eu poderia tê-la matado Rosa. Ou Aline está condenada?
- Não pense nisso agora. Aline está bem e eu sei que não desejava ferir ninguém.
- Há diferença entre querer e fazer Rosa.
- Sim, claro.
Angelus levantou vôo diante da baixa lua crescente.
Depois de costurados os pontos em Aline sem o efeito da anestesia ela foi colocada no soro para repousar ao lado de Carlos.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

57

15h00min QUINTA 22 de Agosto.


- Queria falar comigo? – Tiago.
- Sim. Sente-se, por favor. – Rosa.
- Algum problema com o meu irmão?
- Não. Quero apenas saber se pensou sobre o convite que lhe fiz.
- Não, não pensei. Com Carlos doente não me sobra muito no que pensar.
- Aqui terá alimentação balanceada e residência adaptada como tem sido em sua vinda freqüentes para cá. A tutoria dependeria de sua tia. Creio que ela não se oporia a isto. Conformo-me com a gratificação de seus estudos na educação governamental e instrução que ofereceremos aqui com os nossos professores. Não importa quanto tempo leve.
- Eu conheço os atrativos deste lugar, mas quero conversar com Carlos antes.
- Sob a nossa responsabilidade você terá chances de ajudar Carlos.
- Como?
- Soube dos progressos na recuperação de Carlos apenas por você estar no mesmo cômodo que ele. A recuperação voltou a ser lenta sem você ao seu lado.
- Eu sei disto, mas ainda não entendo.
- Entenderemos com alguns exames em nossos laboratórios. Gostaria que visse estas radiografias de Carlos. São de quatro anos atrás, quando veio me procurar para residir na associação.
Tiago pegou as folhas escuras e as observou contra as luzes do abajur.
- As partes circuladas são fraturas antigas, ele não estava ferido ao chegar aqui. É difícil percebê-las. – Rosa.
- O que isso quer dizer? – Tiago.
- Quando estas fraturas ocorreram Carlos estava no auge de sua fase de crescimento. Os ossos se recuperaram facilmente. Observe estas outras radiografias?
- O que são?
- As fraturas que Carlos tem agora. Veja, estão nos mesmo lugares que as antigas, parecem terem sido reabertas. Duas fraturas no maxilar e nas costelas, uma no braço e seis nas pernas.
- Eu entendo, ao menos em parte.
- Temos todas as respostas que compõem Carlos, mas algumas não dependem dele. Não temos autorização para examiná-lo Tiago, a menos que assine os documentos.
- Assino com uma condição.
- Diga.
- Quero as radiografias.
- Pode levar as antigas que fazem parte do arquivo da associação. As recentes fazem parte do arquivo medico.
- Está bem.
- Acertarei a documentação e o procurarei.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

56

09h00min QUINTA 22 de Agosto.

Ottus subiu pelo elevador percebendo que a porta do quarto de Tales se fechava, mas não escutou ninguém e seguiu para o quarto de Bernardo.
- Que bom que chegou Ottus! – Roxane.
- Algum problema? – Ottus.
- Não. O apetite de Bernardo voltou.
- Isso é bom, por que eu trouxe bastante para vocês dois.
- O que trouxe Ottus? – Bernardo.
- Sanduíches de patê de fígado.
- Eu não gosto de fígado.
- Ora, eu pensei que...
- Ele é um garoto Ottus! Claro que não gosta de fígado. – Roxane.
- Sempre gostei de fígado. Quer sanduíches de que?
- Cascas de ovos. – Bernardo.
- Está bem. Eu não demoro.
Ottus desceu com a bandeja.
- Enquanto esperamos você toma um banho. – Roxane.
- Eu não quero tomar banho. – Bernardo.
- Mas tem que tomar, para tirar o suor.
- Mas eu não enxergo!
- Está bem, eu lhe dou banho fora do chuveiro.
- Ei! Não pode me ver sem roupa.
- Lavarei os seus braços, pernas, pescoço e peito. Apenas isto.
- Está bem, mas pegue água bem quente.


14h41min QUINTA 22 de Agosto.

- Sargento, veja se está bom agora. – Aline.
- Saia de perto para que eu as ligue. – Angelo.
- Sim senhor, Sargento!
Aline foi para cima da aeronave e as turbinas zumbiram com as chamas que brilhavam. Aumentaram o calor e o reduziram antes de serem desativadas.
- Estão boas! Agora tenha cuidado para descer. As turbinas ainda estão quentes. – Angelo.
Um grito chamou a sua atenção e ele subiu até Aline. Toda a pele da palma direita dela estava em carne viva após a grave queimadura. Angelo desceu com cuidado.
- Isso é grave. Levá-la-ei para Io-lan. – Angelo.
- Está doendo muito. – Aline.
- Vamos.
Angelo a levou pelo pulso como se Aline não quisesse acompanhá-lo. Io-lan saia da enfermaria quando os viu se aproximando.
- Io-lan, Aline se feriu. – Angelo.
- Todos, todos de uma só vez! A madame Rosa deveria proibir todas as atividades. – Io-lan.
- Aline queimou-se em uma das turbinas do Escaravelho.
         - Entre, vou cuidar disto.

sábado, 17 de julho de 2010

55

06h30min QUINTA 22 de Agosto.

Pela manhã Aline desceu para o café onde Angelo a aguardava.

- Espero por você na garagem. – Angelo.

- Você que sabe. – Aline.

- Não pense em faltar. – Rosa.

- Claro que não. Será bastante agradável para Angelo. Tanto quanto para um anjo de asas perfuradas. Posso garantir.

Após o café Aline saiu para a garagem e ao ver Angelo ficou séria.

- Soldado se apresentando, Sargento! – Aline.

- Não me agrada esta brincadeira.

- Sim senhor, Sargento!

08h00min QUINTA 22 de Agosto.

Saíram da garagem por uma porta lateral entrando em um hangar subterrâneo até então desconhecido. Aline gostou de ver uma aeronave ali guardada.

- Que coisa é essa? – Aline.

- Escaravelho Prateado. Nosso transporte emergencial a longas distâncias. – Angelo.

Entraram na cabine e Angelo mexeu no painel até abrir-se o teto.

- Preciso de ajuda no conserto da turbina direita. Não é muito diferente do escapamento de um carro. – Angelo.

- Ótimo. Precisa que eu ajuste o painel? – Aline.

- O painel é mais complicado que carros. Preciso que vá até a turbina.

- Claro. Você que tem asas e eu que tenho que voar. Será fácil.

- Use a corda.

Angelo amarrou a corda e Aline se apoiou após sair da escada, descendo entre as turbinas.

- Quais delas você quer que eu verifique? – Aline.

- A do lado direito. Tenha cuidado, não tem muito tempo que eu as desliguei. – Angelo.

- Onde esteve? – Luciana.

- Por aí. Estava me procurando? – Tiago.

- Sim.

- Algum problema com Carlos?

- Madame Rosa quer falar com você.

- Obrigado. Antes vou passar no meu quarto.

Luciana foi para a cozinha preparar um lanche para si e encontrou Ottus.

- Boa tarde. – Luciana.

- Oi. – Ottus.

- Passe-me a faca, por favor.

- Claro.

- Não seria muito para você comer?

- Não é para mim. É para Roxane e Bernardo.

- Já lanchou?

- Não gosto de lanches. Apenas almoço e janto. Roxane está sem apetite, mas creio que comerá com Bernardo. Quer lanchar com eles?

- Não, obrigada.

- Não tem problema.

- Há um problema. Eu gostaria, mas não posso.

- Entendo. Se precisa se esconder é por oferecer perigo, como Catarina e eu.

- Eu mataria alguém que pusesse os olhos em apenas os meus cabelos. Qual a sua atividade?

- Indução. Por isso não me permitem tirar os óculos, mesmo sendo cego.

- Vejo-o ocupado Ottus, por isso conversaremos em outra hora.

- Me agradaria bastante.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

54

21h50min QUARTA 21 de Agosto.

Roxane saiu apressada para o terceiro andar. Bernardo gania como um garoto malhado ou um cachorro sem unhas.

- Roxane. – Bernardo.

- Acalme-se garoto. Ela vai voltar aqui agorinha mesmo. – Valério.

- Estou com frio.

- Vai passar. Você ficará bem.

- Roxane...

Bin-Bin entrou no quarto com Roxane e se aproximou da cama.

- Como ele está? – Bin-Bin.

- Péssimo. Catarina estava muito perto dele quando perdeu os óculos. – Valério.

- Preciso que espere no corredor Roxane.

- Fora por quê? Quero ficar ao lado dele. – Roxane.

- Por favor, Roxane. – Valério.

- Está bem.

22h18min QUARTA 21 de Agosto.

Aguardando que Roxane saísse Bin-Bin preparava uma pequena agulha presa a uma fina mangueira com uma seringa presa à outra extremidade. Valério segurou o parelho enquanto ela acariciava atrás da orelha de Bernardo. Eles esperaram o menino se manter como cachorro para perfurar o final do pescoço, mas inesperadamente o menino voltou a sua forma natural.

- Estão me machucando! – Bernardo.

- Vai passar Bernardo, agüente firme. – Bin-Bin.

- Parem. Parem! O meu pescoço.

Valeiro apertou a medicação que passou pela mangueira até a outra pequena agulha. Retirada, a agulha foi feito um curativo. Valério abriu a porta.

- Pode entrar Roxane. – Valério.

Roxane não demorou a sentar-se ao lado de Bernardo.

- Quero Roxane. Roxane! – Bernardo.

- Eu estou aqui querido. – Roxane.

- Eles me machucaram Roxane. Machucaram. Faz parar de doer!

- Vai passar Bernardo. Foi apenas um remédio para que não sentisse frio. Você vai ficar bom.

- Vou ver como estão Joan e Roan. Poderão retirar as ataduras amanhã cedo. – Bin-Bin.

- E Bernardo? – Roxane.

Bin-Bin olhou-a com preocupação.

- Disse a Bernardo que ele ficará bem. – Roxane.

- Bernardo estava a menos de dois metros de Catarina. De olhos abertos ele foi diretamente atingido pela claridade. A luz pode ter queimado as retinas dele e tê-las comprometido. Após o exame que Io-lan realizou não há como saber se Bernardo poderá recuperar a visão. – Bin-Bin.

- Bernardo pode ficar cego.

- Vamos esperar Roxane. Temos que esperar. Não podemos discutir isto aqui. – Valério.

- Está bem.

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