sábado, 7 de novembro de 2009
34
O furgão retornou com Sandra e aos poucos os passageiros foram descendo do veículo. Elisa estava nos degraus da frente e leu todos os nomes. Enquanto os gêmeos Joan e Roan Ximenes mostravam-se admirados, sob os óculos escuros ninguém notava a reação de Aline Makita. Luciana Castilha não podia ser vista sob sua roupa que cobria cabelos e olhos, ao contrario de Tales Rodrigues que de regata tinha os patins sobre os ombros.
Aurélio Blavatski mantinha-se calado sem qualquer reação. Permanecia sereno com seu candelabro ao lado.
- Isto é grande. – Tales.
- É. Tem árvores o bastante. – Joan.
- Que mansão. – Luciana.
- Bem vindos ao casarão! – Elisa.
O cabelo de Aline cobria as pernas dos óculos ao descer em trança até as costas. Quando Elisa leu o seu nome ela apenas balançou levemente a cabeça.
- Comigo, por favor. – Elisa.
Luciana entrou primeira e Tales em seguida, desconfiado. Observaram as grandes escadas nas paredes opostas, mas Elisa os levou para o escritório do primeiro andar.
- Sejam todos bem vindos. Eu sou madame Rosa Morena e esta é Elisa Arruda, professora daqui. Os quartos são no segundo andar e qualquer um que precisar de atendimento médico, no caso de algum acidente, é só encaminhar-se ao terceiro andar. – Rosa.
- Quantas pessoas moram aqui? – Luciana.
- Muitas, mas aos poucos vocês se conhecerão.
- Espero não causar problemas.
- Não há discriminação aqui. Agora eu os deixarei descansar, para alguns de vocês foi uma longa viagem. Ver-nos-emos novamente no janta. Elisa os acompanhará aos quartos.
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
33
19h23min SÁBADO 17 de Agosto.
- Retiraram o tubo de oxigênio. – Tiago.
- Boa noite. Desligaram quando cai da cama. – Carlos.
- Por que mandou Valério atrás de mim? Disse que eu corria perigo.
- Estava nervoso. Qualquer um corre perigo do modo como estava.
- Se está bem por que ainda não saiu daqui?
- Quem disse que estou bem? Eu estou melhor, apenas fora de perigo.
Tiago calou-se.
- Eu não posso mover andar. As minhas pernas estão paralisadas. – Carlos.
- Você se feriu? Quebrou a coluna? – Tiago.
- Não. Eu ainda vou correr muito atrás de você.
- Qual é o problema com você?
- Não posso te contar.
- Ótimo, não quer conversar.
- Está tarde Tiago, vá descansar.
- Pare de me dar ordens!
- Não dormiu na noite passada.
- As ordens terminam aqui.
- Está bem. Chame Valério para mim, por favor.
- Vai mandá-lo cuidar de mim, já que está de cama?
- Estou apenas sem sono e entediado.
- Está bem.
07h16min DOMINGO 18 de Agosto.
O dia amanheceu claro e estava quente quando Sandra saiu. Bem cedo, quando Elisa saiu com o furgão, Valério procurou por Tiago.
- Bom dia Tiago. Tão cedo e está disposto. – Valério.
- Meu irmão fez de novo. Mandou você atrás de mim. Talvez você possa me explicar o que está acontecendo com ele. – Tiago.
- Eu não sei, mas confio nele. É o meu melhor amigo. Ele não me pediu nada.
- Então o que você quer?
- Eu fico totalmente ocioso há esta hora. É a hora em que Raíssa está na escola. Não quer, sei lá... Conversar, mostrar o que sabe fazer.
- Pra que?
- Passar o tempo. Depois eu te mostro o que consigo fazer.
- Não estou muito para brincadeiras Valério.
- Está bem. Tem uma caneta?
- Para o que?
Quando Valério tocou o objeto oferecido os dedos de Tiago queimaram e a caneta ficou com Valério.
- O que pensa estar fazendo? – Tiago.
- Isso não foi nada. Agora quero ver se posso ficar com a caneta de presente. – Valério.
Tiago ficou invisível, mas Valério notou a grama se deitando sob o tênis e tentou acertá-lo.
- Desculpe. Você está bem? – Valério.
Tiago levantou-se.
- Sim. – Tiago.
- Você é silencioso. – Valério.
- Por isso ando de meias.
- Eu não te escutei. Encontrei você por que a grama cede ao peso. Pareciam os seus pés.
- Claro.
- Na próxima ande abaixado mesmo invisível. Ataque, você deve saber atacar.
- Eu sei. Agora me devolva a caneta, a brincadeira acabou.
- Por quê? Você me deu.
- Dei?
- Se quer de volta pegue-a.
- Esquece, pode ficar. Eu arranjo outra.

