segunda-feira, 2 de novembro de 2009

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19h23min SÁBADO 17 de Agosto.

- Retiraram o tubo de oxigênio. – Tiago.

- Boa noite. Desligaram quando cai da cama. – Carlos.

- Por que mandou Valério atrás de mim? Disse que eu corria perigo.

- Estava nervoso. Qualquer um corre perigo do modo como estava.

- Se está bem por que ainda não saiu daqui?

- Quem disse que estou bem? Eu estou melhor, apenas fora de perigo.

Tiago calou-se.

- Eu não posso mover andar. As minhas pernas estão paralisadas. – Carlos.

- Você se feriu? Quebrou a coluna? – Tiago.

- Não. Eu ainda vou correr muito atrás de você.

- Qual é o problema com você?

- Não posso te contar.

- Ótimo, não quer conversar.

- Está tarde Tiago, vá descansar.

- Pare de me dar ordens!

- Não dormiu na noite passada.

- As ordens terminam aqui.

- Está bem. Chame Valério para mim, por favor.

- Vai mandá-lo cuidar de mim, já que está de cama?

- Estou apenas sem sono e entediado.

- Está bem.



07h16min DOMINGO 18 de Agosto.

O dia amanheceu claro e estava quente quando Sandra saiu. Bem cedo, quando Elisa saiu com o furgão, Valério procurou por Tiago.

- Bom dia Tiago. Tão cedo e está disposto. – Valério.

- Meu irmão fez de novo. Mandou você atrás de mim. Talvez você possa me explicar o que está acontecendo com ele. – Tiago.

- Eu não sei, mas confio nele. É o meu melhor amigo. Ele não me pediu nada.

- Então o que você quer?

- Eu fico totalmente ocioso há esta hora. É a hora em que Raíssa está na escola. Não quer, sei lá... Conversar, mostrar o que sabe fazer.

- Pra que?

- Passar o tempo. Depois eu te mostro o que consigo fazer.

- Não estou muito para brincadeiras Valério.

- Está bem. Tem uma caneta?

- Para o que?

Quando Valério tocou o objeto oferecido os dedos de Tiago queimaram e a caneta ficou com Valério.

- O que pensa estar fazendo? – Tiago.

- Isso não foi nada. Agora quero ver se posso ficar com a caneta de presente. – Valério.

Tiago ficou invisível, mas Valério notou a grama se deitando sob o tênis e tentou acertá-lo.

- Desculpe. Você está bem? – Valério.

Tiago levantou-se.

- Sim. – Tiago.

- Você é silencioso. – Valério.

- Por isso ando de meias.

- Eu não te escutei. Encontrei você por que a grama cede ao peso. Pareciam os seus pés.

- Claro.

- Na próxima ande abaixado mesmo invisível. Ataque, você deve saber atacar.

- Eu sei. Agora me devolva a caneta, a brincadeira acabou.

- Por quê? Você me deu.

- Dei?

- Se quer de volta pegue-a.

- Esquece, pode ficar. Eu arranjo outra.

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