19h23min SÁBADO 17 de Agosto.
- Retiraram o tubo de oxigênio. – Tiago.
- Boa noite. Desligaram quando cai da cama. – Carlos.
- Por que mandou Valério atrás de mim? Disse que eu corria perigo.
- Estava nervoso. Qualquer um corre perigo do modo como estava.
- Se está bem por que ainda não saiu daqui?
- Quem disse que estou bem? Eu estou melhor, apenas fora de perigo.
Tiago calou-se.
- Eu não posso mover andar. As minhas pernas estão paralisadas. – Carlos.
- Você se feriu? Quebrou a coluna? – Tiago.
- Não. Eu ainda vou correr muito atrás de você.
- Qual é o problema com você?
- Não posso te contar.
- Ótimo, não quer conversar.
- Está tarde Tiago, vá descansar.
- Pare de me dar ordens!
- Não dormiu na noite passada.
- As ordens terminam aqui.
- Está bem. Chame Valério para mim, por favor.
- Vai mandá-lo cuidar de mim, já que está de cama?
- Estou apenas sem sono e entediado.
- Está bem.
07h16min DOMINGO 18 de Agosto.
O dia amanheceu claro e estava quente quando Sandra saiu. Bem cedo, quando Elisa saiu com o furgão, Valério procurou por Tiago.
- Bom dia Tiago. Tão cedo e está disposto. – Valério.
- Meu irmão fez de novo. Mandou você atrás de mim. Talvez você possa me explicar o que está acontecendo com ele. – Tiago.
- Eu não sei, mas confio nele. É o meu melhor amigo. Ele não me pediu nada.
- Então o que você quer?
- Eu fico totalmente ocioso há esta hora. É a hora em que Raíssa está na escola. Não quer, sei lá... Conversar, mostrar o que sabe fazer.
- Pra que?
- Passar o tempo. Depois eu te mostro o que consigo fazer.
- Não estou muito para brincadeiras Valério.
- Está bem. Tem uma caneta?
- Para o que?
Quando Valério tocou o objeto oferecido os dedos de Tiago queimaram e a caneta ficou com Valério.
- O que pensa estar fazendo? – Tiago.
- Isso não foi nada. Agora quero ver se posso ficar com a caneta de presente. – Valério.
Tiago ficou invisível, mas Valério notou a grama se deitando sob o tênis e tentou acertá-lo.
- Desculpe. Você está bem? – Valério.
Tiago levantou-se.
- Sim. – Tiago.
- Você é silencioso. – Valério.
- Por isso ando de meias.
- Eu não te escutei. Encontrei você por que a grama cede ao peso. Pareciam os seus pés.
- Claro.
- Na próxima ande abaixado mesmo invisível. Ataque, você deve saber atacar.
- Eu sei. Agora me devolva a caneta, a brincadeira acabou.
- Por quê? Você me deu.
- Dei?
- Se quer de volta pegue-a.
- Esquece, pode ficar. Eu arranjo outra.


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